terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Moana é a minha segunda heroína preferida da Disney




A primeira continua a ser a Mulan, mas Moana não lhe fica atrás. 

Nunca me identifiquei muito com a Jasmine, apesar de ser a mais próxima da minha etnia. Com isto já há três heroínas que não são a típica donzela (branca) que é salva por um príncipe e vive feliz (casada) para sempre. 

Quando era pequena não havia muitos desenhos animados com que me identificasse. X-Men era a única banda desenhada com efeito catártico para mim, porque retratava preconceito e racismo de forma abrangente.

Agora há mais diversidade, mas ainda não a suficiente. Passo pelos canais de desenhos animados e quase não vejo outras raças que não a caucasiana representada. Passo pelo corredor dos brinquedos e é o mesmo.

De todas as donzelas da Disney, Moana (ou Vaiana, em português) é a mais parecida fisicamente comigo (bem queria parecer a Jasmine, mas não deu) e a segunda que mais representa valores com que me identifico.

Gosto de como criaram uma personagem forte, de braços trabalhadores e tornozelos que parecem inchados, de como a mostram a trabalhar na aldeia, a apanhar cocos, e dos conflitos por que passa.

A Mulan sempre foi o meu ideal, especialmente porque a mensagem do filme é particularmente forte por se passar num país onde até há pouco tempo ter uma filha mulher era um fardo. Mas saúdo a Disney por ter criado outra personagem com carácter e ambição que vão além da busca pelo príncipe encantado.

Vanessa

Sabes que estás a ficar velha quando ... II

... os teus pais comemoram o Carnaval e tu não.

... nem te lembravas que é Carnaval.

... nem sequer pões a hipótese de comemorar o Carnaval.

Sabes que estás a ficar velha quando ... I

Vanessa

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Nokia 3310 vai voltar

O meu telemóvel já foi um smartphone. Agora ficou só a parte do phone e mesmo assim funciona mal, com a parte inferior do ecrã já sem funcionar. O problema é que era um dos raríssimos modelos Android com teclas e agora não há nenhum à vista. Gosto muito do meu QWERTY. Ainda assim, estou mais capaz de comprar um Nokia 3310 do que um smartphone. Acho que aquela coisa de termos de pensar no número de vezes que temos que carregar numa tecla para chegar a uma letra é um bom exercício mental.

Além disso, toda a gente sabe que o 3310 era capaz de sobreviver ao apocalipse, é uma boa arma de arremesso, pode ser o primeiro tijolo na construção de uma casa e essa casa nunca irá abaixo, e basicamente é ele próprio um seguro contra todos os riscos, o que é um aspecto importante para uma pessoa desastrada.

Comecei por pensar nele a brincar, como uma hipótese muito remota, mas entretanto o caso ficou sério.

Vanessa

15 de Fevereiro

Hoje é o dia dos namorados das pessoas que não ligam nenhuma ao Dia de São Valentim. Hoje e todos os outros dias até ao próximo dia 14 de Fevereiro, para dizer a verdade. Não me importava de jantar fora e receber gomas de presente todos os dias menos no dia 14. Isso sim seria romantismo. #ficaadica 

[inserir emojis a piscar um olho e corações]

Vanessa

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

As fotos do World Press Photo 2017 dão-me arrepios

Olho para as imagens que venceram o World Press Photo deste ano e vejo tudo o que está mal no mundo. A começar com a vencedora. Além dessa, que mostra segundos após um assassinato, os cenários de guerra e os olhares de tristeza, especialmente os de crianças, dão-me arrepios de mau estar.

Bem sei que um dos objectivos é mesmo esse, despertar consciências, mas ainda assim há sempre um tremendo desequilíbrio entre as fotos controversas e aquelas que mostram, por exemplo, momentos humanos.

Provavelmente nunca na minha vida vou ver um World Press Photo onde todas as fotos mostram beleza pacífica, mas gostava que estivéssemos mais perto de um 50-50, desde a primeira exposição do World Press Photo que vi até à mais actual. Mas não, todas mostram um mundo feio e muitas revelam os momentos em que os fotógrafos premiados colocaram em risco a vida para a captura de um instante que mostra o pior da humanidade.

Ainda tenho esperança de que um dia o World Press Photo seja uma exposição menos deprimente.

Vanessa

Tentem não sorrir

Desafio-vos.



Quem quiser boa-disposição durante 10 horas, há um loop disto no YouTube. Avisem-me que eu partilho.

Boa semana.

Vanessa

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Fantasias

Não sei se sou snobe ou se sou exigente com os filmes. Já agora com os livros também. Não posso dizer que seja da idade, agora que já completei 30 anos de existência. Sempre fui picuinhas com a forma como passo o meu tempo livre e levo a peito se não fico satisfeita com alguma obra de ficção, precisamente porque sendo o tempo livre escasso, valorizo-o mais e não gosto de sentir que estou a perder ou a esbanjar tempo.

Gosto de ficção porque, ainda que goste muito de realismo, ou apesar de gostar, faz com que me abstraia da realidade. É um apego que na verdade nunca compreendi. Não sou fã de filmes ou livros biográficos, precisamente porque prefiro a ficção. Prefiro que um autor mostre os aspectos reais enredados na teia da ficção, ou ver em pormenores fundamentos da realidade, mesmo que só o venha a saber depois.

Tenho tido tendência para gostar mais de fantasia e ficção científica do que é normal, talvez porque a abstracção é maior, mas continuo a valorizar mais a estória do que os efeitos especiais, ainda que seja crítica em relação a efeitos que tornam o filme num jogo de computador dos anos 90. Se a estória não fizer o mínimo sentido ou for incongruente, fico desiludida e até irritada. Por muito HD de ultra realismo que seja a imagem.

Posto isto, devo dizer que gostei muito de La La Land. Não era suposto escrever uma review sobre o filme, mas a minha opinião cabe bem aqui. La La Land tem a dose ideal de fantasia, realismo, com uma cinematografia genial. Queria mais filmes assim, pelo menos uma vez por mês, no cinema. É dinheiro e tempo bem gastos.

Vanessa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A globalização trouxe-nos o hygge

Hygge é um estado de espírito. É uma palavra dinamarquesa sem tradução específica que significa um tipo de prazer e conforto encontrado em pequenos detalhes e momentos. Lê-se e diz-se 'huga'.

Há um ou dois meses, sempre que vou à Fnac, um livro sobre hygge está no top dos mais comprados. Não me espanta. A busca pela felicidade é a única coisa em que todos filósofos estão de acordo. É o que nos guia.

Este hygge tem que ver com o som da lareira, o conforto de um canto da casa, a nostalgia de uma música, o sabor de alimentos, mantas quentes. No fundo, o que nos lembra de que estamos vivos e nos apraz.

O hygge vem daquele que é considerado o povo mais feliz do mundo, mesmo que vivendo num país onde o Inverno é tão longo e há tanta escuridão. É uma ideia em exportação, muito mais útil do que outras.

O meu sentimento de hygge vem de muitas coisas banais, como livros, o cheiro de livros antigos e o toque das páginas porosas, café, chocolate, mas também pequenas sensações como a de aromas que remetem à infância, a maresia, filmes que revejo e me dão arrepios, o som da chuva, a sensação de estar quente.

Eu cá não me importava nada de me mudar para a Dinamarca sob pretexto de estudar o hygge. Calculo que já muitos o tenham feito. A ideia já devia era ter cá chegado há mais tempo.

Vanessa

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

As 5 coisas que aprendi na minha primeira manicura

1. Uma manicura de 5€ provavelmente não é uma boa iniciação. Uma hora depois, uma das unhas criou bolhinhas e outra lascou um pouco. Vá, sou desastrada, mas a manicura não pode ser muito boa. Consistiu numa base, duas camadas de verniz, uma camada de verniz de acabamento e óleo para cutículas.

2. Tenho melhores produtos em casa. Melhores pelo menos em termos de eficazes. Cliché for the win. O produto Cliché Efeito Gel que uso em casa é óptimo, não porque dá efeito de gel propriamente, mas porque seca num instante. Não risca. Não cria bolhas. Não estala nem por nada. Não fica com a marca dos lençóis mesmo que vá dormir logo a seguir. Não sei quando é que isto se transformou numa review, mas fica a dica.

3. Com certeza já ninguém faz manicura normal, só gel. A funcionária pareceu desiludida quando eu disse que queria uma manicura normal e os vernizes parecia que estavam no fundo do baú e tinham um ar antigo.

4. Há instrumentos de manicura que parecem objectos de tortura. O alicate de cutículas É um objecto de tortura. Provavelmente foi inventado na época medieval para ensinar uma lição aos dissidentes.

5. Pagar antes de as unhas serem pintadas é melhor. Também é aconselhável escolher um dia em que não esteja a chover. É desconfortável tentar ter cuidado com as unhas e ao mesmo tempo evitar molhar-me.

Vanessa

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Modo off

Este fim-de-semana vai ser para desligar e reiniciar. Bem sei que o ano ainda agora começou, mas Janeiro acaba sempre por ser uma rampa de lançamento para Fevereiro, que é quando festejo mais um Inverno. Todos os anos, parece-me que o ano só começa depois de Fevereiro. Este ano é mais especial, porque já lá vão 30.

Vanessa

Jornalixo II

Não, o filho do cantor Michael Bublé não está "livro do cancro" nem "venceu a batalha" como noticiaram o Notícias ao Minuto e a Sapo, respectivamente, e como outros meios de comunicação deram a entender. 

O que diz o comunicado dos pais é que Noah está a progredir bem em relação ao tratamento e que a equipa médica está optimista. O comunicado tem dois parágrafos, e não custa nada ler e perceber o que diz. 

É de mau tom publicar coisas assim, mesmo que todo o mundo queira que seja verdade e já. Até as notícias que têm como fonte a tia de Noah, citada por um jornalista argentino, têm no título coisas como "venceu o cancro", mas depois o que está escrito que a tia disse foi que o menino "está a recuperar". Recuperar não é sinónimo de remissão nem de vencer o cancro, até que alguém da família o diga com todas as letras.

Retiro o que escrevi se me disserem que os jornalistas agora também são videntes.

Vanessa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

5 coisas que aprendi com filmes de terror

1. O mundo é um sítio perigoso para viver e por isso estar viva é um enorme privilégio. Com tantos assassinos (em série ou não), animais ameaçadores (dos tubarões aos animais domésticos passando pelas répteis), objectos possuídos pelo demo (bonecos em especial, mas sem esquecer Christine, que é um carro), o demónio em si, espíritos do outro mundo e de mundos paralelos, plantas e vento (obrigado, M. Night Shyamalan), vampiros, lobisomens, zombies, pessoas que enlouquecem, crianças malignas... é de admirar que ainda esteja viva.

2. Senso comum? O que é isso? Nem falemos daquela cena típica de correr aos berros para o segundo andar em vez de se sair pela porta de entrada. Que tal não brincarem com forças sobrenaturais? Tabuleiros de ouija, objectos antigos (especialmente caixas ou espelhos) e TODOS OS BONECOS são objectos do mal, pessoas! Olhem que eu usei ponto de exclamação, coisa que é raro. É porque é mesmo grave. Eu aprendi que essas coisas dão possessão quase certa ou um grande desconforto geral que tem um grande impacto nas nossas vidas.

3. A curiosidade não matou só o gato. Quem tem amor à sua vida não vai explorar edifícios abandonados, especialmente se tiverem fama de serem assombrados, nem sequer a sua própria casa quando as tábuas do chão ou as portas rangem, e muito menos pergunta "Quem está aí?" quando ouve um barulho suspeito seja onde for. O mínimo sinal de curiosidade desperta instintos assassinos seja quem ou qual for o antagonista.

4. Não ser bonita ou branca é morte certa. Normalmente a(s) protagonista(s) são a(s) mais bonita(s). Todas as outras normalmente morrem, independentemente da personalidade ou inteligência. Morrem mais cedo se não forem virgens, se forem especialmente más para as outras pessoas ou se fizerem comentários tolinhos. Morrem também mais cedo os que não são brancos. Africanos, indianos, chineses morrem todos primeiro.

5. Ver filmes de terror é muito má ideia. É uma má ideia que aprendo e também desaprendo. Há filmes e filmes, mas em geral todos eles despertam na imaginação um instinto de auto-mutilação capaz de ver nas sombras um espírito agitado, de suspeitar de qualquer brisa ou som, e de convocar TODOS os terrores para a nossa realidade porque ver filmes de terror não é mau o suficiente; temos também de pensar neles depois e temer pela vida. Voltamos aqui ao início deste post, quando referi que estar viva é um enorme privilégio.

Vanessa

Prazer peculiar I

Tenho de falar e pensar em mais coisas boas. Essa coisa da gratidão. Vou começar por uma coisa peculiar que todos os dias (úteis) me dá prazer. E tem que ver com trabalho. Não, não é a hora de saída, porque isso é uma miragem para quem trabalha em casa. Também não é a hora de almoço ou a de jantar.

Esta coisa de que falo vem no seguimento da escrita de páginas e páginas de texto corrido, tipo umas 20. Então, teclo e teclo e teclo sem nunca pressionar o enter até ficar com um bloco de texto gigantesco. Às vezes até diminuo a resolução para ver as letrinhas a formar um rectângulo quase massivo distribuído pelas páginas.

Este passo é importante para ganhar perspectiva. Tipo, "Ena, já trabalhei imenso". Mas também porque faz com que o passo seguinte seja ainda mais prazeroso. O tal prazer peculiar que deu mote a este post.

Consiste em dividir o imenso bloco de texto em pequenos blocos, não muito longos. Isto já faço com uma resolução normal. Vou revendo o trabalho e vou usando o enter para espaçar os bloquinhos.

Quase me dá arrepios.

É como se nunca fazer parágrafos aumentasse a tensão, tipo aquelas cenas nos filmes de terror, antes de um susto, quando a banda sonora se transforma em som gutural ou silêncio, e depois cada enter fosse o pós-susto.

Quanto menos dentes de cavalo tiver, mais prazerosa é a tarefa. O que são dentes de cavalo? Explico numa próxima, que isto é um post sobre coisas boas e se há coisa boa é ver um bloco de texto ser parcelado.

É uma tarefa altamente entusiasmante, tipo aquela moda de usar uma faca em ponto de ebulição para cortar cenas e fazer vídeos só disso. Mas isto é mais do que isso para mim. É como uma pequena meditação. Ou um chocolate. Ou café. Pena que ainda ninguém faz vídeos de blocos de texto a serem editados.

Por aí, alguém com um prazer peculiar?

Vanessa

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Mas quem são vocês?

Todos os dias tenho entre 200 a 400 visitas mesmo que não publique e todos os dias me pergunto quem são estas pessoas que cá vêm todos os dias, mesmo com as pérolas que tenho escrito ultimamente.

Aborrecimento, manicuras, Trump, o furo da minha botija de água quente são temas extremamente pertinentes, mas hoje em dia ninguém lê, muito menos texto assim corrido e muito menos ainda na internet.

Portanto vocês vêm cá para... meditar? 

Pelo contraste do branco da página com o preto das letras? 

Porque de longe parece que estão a ler algo interessante? 

Porque têm esperança de ver memes novos ou novas piadas secas ou galerias de fotos qui e têm preguiça de subscrever a newsletter, e por isso têm de cá vir todos os dias? 

Porque me conhecem e... esperem, não pode ser. Acho que não conheço sequer 200 pessoas na vida real.

Já sei. Porque estavam a pesquisar uma das coisas aleatórias sobre as quais já escrevi e vieram aqui parar por engano? Realmente a maior fonte de tráfego de Janeiro é o Google.

Não estou a perceber.

Serão aliens?

Vanessa

Os 10 mais lidos de Janeiro de 2017