quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bruno, se estás a ler isto, perdoa os teus amigos

Duas vozes sobrepuseram-se ao som dos meus fones. Dois meninos suplicavam que Bruno os perdoasse. Diz um: "Desculpa-nos, Bruno. Não acabes a nossa amizade". Diz o outro: "Sim. Ainda temos muito para viver juntos". Diz o primeiro: "Desculpa-nos, Bruno. Ainda temos muitos anos pela frente. Não fiques chateado". Diz o segundo: "Vá lá, Bruno". Eram súplicas dramáticas. Não lhes vi o rosto, mas devem ser dos muitos miúdos que andam na escola primária e que passam pela frente da minha casa. Se estás a ler isto Bruno, que és meu vizinho e quero o teu bem, por favor perdoa os teus amigos, que eles gostam tanto de ti que até te gritam súplicas pela janela.

Vanessa

"E aí nada acontece. Porém, quase tudo acontece".

Jout Jout é uma das minhas youtubers preferidas e o último vídeo da Jout Jout é um dos meus preferidos. Ela começa por falar sobre o trânsito na Índia e sai-se com a tirada que coloquei ali no título. É bem verdade. Nunca lá vi um acidente que fosse, precisamente porque tudo quase acontece, mas nada acontece. Há famílias inteiras em cima de motas, sem capacete, no meio daquilo que me parece um caos. Porém, nada acontece.

É um fenómeno quase sobrenatural. Há ali todos os ingredientes para tragédias acontecerem. Junte-se a isso à aparente despreocupação pela própria vida que leva indianos a cometer loucuras como atirarem-se para a estrada porque nenhum carro dá passagem ou ultrapassarem carros que estão a ultrapassar outros carros. Porém, nada acontece e todos saem ilesos. Como, não sei, mas fui testemunha de muitos exemplos.

Jout Jout falou ainda dos meninos indianos que andam de mãos dadas uns com os outros. Não sei se foi o meu comentário ou se quem viu o vídeo foi depois pesquisar no Google e encontrou este meu post, mas hoje esse post ressuscitou. Teve 13 visitas. Espero que quem o leu tenha gostado. Se não, vejam o vídeo da Jout Jout.



Vanessa

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Coisas que o meu (novo) telemóvel viu | Palácio Nacional de Belém

Tudo em HDR (High Dinamic Range) e com um pequeno ajuste no contraste, no auto nível e na iluminação como é habitual. Todas tiradas enquanto o povo dava em louco a tirar fotos com o Presidente Marcelo.

Para comparar com as fotos que o telemóvel antigo (Sony Ericsson Xperia) tirava:

Vanessa

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Atenção: aqui há muita secura XX

Detesto quando olham para mim e me dizem que tenho o corpo de uma pessoa de 18 anos. 

Pensava que tinha cometido o crime perfeito.


Vanessa

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Nem vais acreditar neste post sobre clickbait. É mesmo incrível!

Clickbait, qualquer coisa como isco de cliques em português, consiste em cativar o clique dos cibernautas através de frases cativantes. Normalmente isso traduz-se em afirmações polémicas e imagens controversas.

Os sites que recorrem ao clickbait precisam de captar a abertura das suas páginas, porque é disso que vivem os autores dessas páginas. As visualizações de página são importantes pelos anúncios aí presentes.

Enquanto que as manchetes já tentavam cativar os leitores com as "gordas" e sempre existiram estilos considerados sensacionalistas semelhantes aos exemplos de clickbait de hoje, a internet mudou o cenário.

Hoje em dia é muito mais comum jornais credíveis recorrerem a títulos sensacionalistas na internet para cativarem visualizações mesmo que as edições em papel mantenham a integridade de antigamente.

Não me afecta de modo algum que isso aconteça desde que a o título não contenha afirmações duvidosas. Também não me afecta que as páginas incitem os títulos com comentários do género "nem vais acreditar na sexta razão pela qual as mulheres vão dominar o mundo" (totalmente fictício e acabadinho de criar).

Sei que para desfrutar de conteúdo gratuito para mim não posso criticar certos meios de comunicação de tentarem extrair compensação de onde podem desde que não deturpem aquilo que noticiam para enganar a audiência. O problema é que muitos o fazem, com aguçado engenho que às vezes passa despercebido.

Exemplo, o Semanário Online publicou um artigo com o título "Fátima Lopes - Grávida" no qual mostra fotos de quando a apresentadora estava grávida, apesar de não o estar neste momento, como o título dá a entender.

O Jornal de Notícias, o Jornal Económico e o Expresso escolheram colocar num título que a família da jovem que morreu de sarampo é anti-vacinas. Apenas se sabe que não levou mais vacinas depois de uma reacção alérgica em pequena. Não há declarações da família, portanto o título é especulação.

O Jornal i diz, "The Smiths. Há uma luz que se apagou para sempre." Bem dramático, mas a banda disse que não planeia regressar. Não disse que era para sempre. Mais uma vez, um título especulativo.

Podia dar mais exemplos, porque é o que mais há nas páginas de redes sociais. O clickbait torna-nos propensos à apatia, porque com tanto título dramático e controverso há mais tendência para não acreditar à primeira ou para deixar de levar a sério casos graves. Para mim é esse o problema do clickbait.

Vanessa

terça-feira, 18 de abril de 2017

Recomendações | Três documentários de ver e chorar por menos

Uma das coisas que mais gosto de fazer nos tempos livres é ver documentários. Nem sempre são super informativos até porque alguns são apenas para satisfazer curiosidade mórbida, mas acabo sempre por aprender algo novo. Decidi então partilhar aqui parte do que tenho visto. Estão é todos em inglês. Sorry.

Começo por uma série de documentários que a Al Jazeera colocou no YouTube já há algum tempo, mas os seis episódios perfazem quase cinco horas, por isso demorei uns dois meses até acabar de ver. Trata-se de uma série chamada The Slum que retrata favelas nas Filipinas. Não é recomendado para os fracos de estômago. Deixo-vos com o primeiro episódio para ver se vos interessa. Depois o YouTube recomenda os seguintes.



Real Stories é o nome de um canal no YouTube com documentários britânicos. Normalmente cada documentário retrata um ou vários casos a tocar o bizarro, desde um homem cuja memória dura sete segundos, uma doença que faz com que as pessoas estejam sempre esganadas de fome, e até assassinos em série, perturbações mentais, vícios, e muito mais. O último que vi chama-se Poor Kids e mostra uma série de crianças pobres a falar sobre pobreza e sobre a sua condição em particular. Tudo miúdos espertos neste documentário triste.



Os documentários do canal canadiano The Fifth Estate no YouTube mostram mistérios, controvérsias, casos de vida. Este documentário em particular, Cross Lake: "This Is Where I Live", conta as histórias de jovens habitantes descendentes de indígenas de Cross Lake, na província de Manitoba, no Canadá, onde mais de 140 jovens tentaram suicidar-se no Inverno de 2016, o que colocou a província em estado de alerta. Este documentário mostra um ano de filmagens com alguns dos protagonistas destas histórias.



Não me apercebi de que só tenho visto documentários em inglês e de que são todos deprimentes. Acabei por mudar o título deste post por causa disso. Queria ver menos, muito menos coisas assim, mas prefiro ver e conhecer estas realidades a permanecer na ignorância e entregue ao sentimento de legitimidade que às vezes se sente, como se as nossas vidas já não fossem melhores do que muitas outras como estas que aqui mostrei.

Vanessa

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Catarse em memes XIII | As várias fases do trabalho freelancer


Lavar. Passar por água. Repetir.


Vanessa

Jornalixo III

Correu dia 15 de Abril a notícia de que um casal norte-americano tentava recorrer a um tratamento de fertilidade quando descobriu um laço de parentesco. Marido e mulher não só eram irmãos como eram gémeos.

Só que não. A notícia é digna do Correio da Manhã, que por acaso publicou sobre o assunto, mas caíram também na ratoeira o Jornal de Notícias, o Sol, o Diário de Notícias e a TVI24. A fonte era um suposto jornal, o Mississipi Herald, que nem sequer existe senão num site duvidoso provavelmente criado por tróles (do inglês, trolls).

O pessoal ter acreditado numa notícia assim, ainda para mais publicada num site não listado no Google News, é que devia ter sido notícia. Convenhamos. Isto é para lá de bizarro.


Vanessa

quarta-feira, 12 de abril de 2017

a, f, i, o, u

O meu E transformou-se em F porque perdeu uma perna e então o meu teclado passou de QWERTY a QFERTY. Não sei da perna do E. Terá ficado agarrada a um dos dedos da mão esquerda? Terá ficado agarrado ao dedo do meio e por isso decidiu transformar-se na primeira letra de um conhecido praguejo? Fónix, claro.

Claramente eu dou muito na cabeça do E. Para o compensar devia corrigi-lo com corrector, daqueles antigos que deixavam um exagero de tinta e só chamavam atenção para o facto de termos errado.

Além do E, só o M parece estar em vias de se transformar noutro símbolo, o maroto. Está a perder o meio. Está a ficar sem virtude. Vai transformar-se em dois Vv enviesados e inacabados a fazer o pino.

Eu felizmente ainda não perdi nada de mim, mas perco-me nestas letras e é por isso que elas fogem assim. Agradecida pela atenção dispensada, vocês que deixaram mais de 90 visitas ao post a, e, i, o, u.

Calculei que estivessem interessados em mais notícias a partir de e sobre o meu teclado.

Vanessa

terça-feira, 11 de abril de 2017

Book Review | The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

How would aliens see us, humans? In The Hitchhiker's Guide to the Galaxy you get one possible outlook on planet Earth. For a book published in 1979, Douglas Adams had quite a futuristic viewpoint. 

It only adds to the experience that his is quite satirical as well. So this book starts minutes before our planet is set to be demolished to create a galactic highway, coincidentally right when Arthur Dent’s house is also set to be demolished. His best friend Ford Prefect, an alien who’s been commissioned to write for the Hitchhiker's Guide to the Galaxy, takes him away for a trip where all kinds of weird happen because... well, aliens.

One certainly has to read this book with an open mind, not expecting realistic stuff to happen. The odds are always something bizarre and characters are often unpredictable, and with names very hard to pronounce. All scenarios are minimally described, so you as the reader needs to do some brain work to set up everything and not think about how our reality is now. For example, Adams describes machinery and computers at a time where they were not as developed as they are now, so one has to be careful not to smudge his descriptions with today’s views. It is quite the exercise. It put me in Deep Thought (pun for those who read the book).

This is the first book in a trilogy of five. While it was entertaining and so much fun, I feel this book works great as a standalone, though as soon as I find the other books at a discount price, I will probably build up my collection and continue following the strange group of individuals that makes up this book. Fortunately, the movies stopped at the first one. No way they could make another one without Alan Rickman.

8/10

Here's how you can buy this book online and the best prices I found:

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Atenção: aqui há muita secura XIX

No outro dia pus-me de gatas no supermercado. Queria ver se encontrava preços baixos.

Review: Cubot Manito 4G

Cubot Manito 4G é o nome do smartphone que comprei há pouco mais de uma semana. Após a compra estou muito satisfeita. Verdade seja dita, passei de burro para cavalo de um momento para o outro, tive de reaprender muito sobre o manusear do bicho, tive de dizer adeus ao teclado físico que o antigo tinha, e tive de me habituar a um telemóvel com o tamanho de um pequeno tablet. Olá século XXI. Prazer estar aqui.

Como de especificações não sei nada (foi uma compra feita por recomendação de quem sabe) faço aqui uma cópia descarada do que estava descrito no site GearBest, onde o comprei: 

Cubot Manito Android 6.0, ecrã de quase 13 centímetros (5.0 polegadas), CPU: MTK6737 Quad Core 1.3GHz, RAM + ROM: 3GB RAM + 16GB ROM, câmara traseira com 8.0 megapixels (equivalente a 13.0) e câmara frontal com 1.3 (equivalente a 5.0), Bluetooth 4.0, GPS, A-GPS, Sensor: G-sensor, Proximity sensor, Accelerometer, Light sensor, dual SIM (um micro, outro nano). Traduzido por miúdos: é um bom smartphone e teve 59% de desconto.

Além de review isto é também publicidade, porque a GearBest tem um programa de afiliados e aceitou a minha adesão. Aqui está o link caso queiram ver mais especificações e fotos do Cubot Manito.

Vamos à minha humilde opinião.

Prós:
- Qualidade versus preço (94,93€)
- Intuitivo (sou um pouco azelha e até agora não tive grandes problemas).
- Ecrã grande (bom para ler artigos longos e essas coisas).
- Capacidade de resposta mais rápida do que o meu cérebro aguenta.
- Som potente (ponho música na cozinha e ouve-se na casa toda, mas não me perguntem as medidas da casa).
- Apanha wireless que é uma maravilha (até na casa-de-banho).
- A bateria dura bastante (1 x 2350mAh e supostamente dura mais 25% do que os outros smartphones Android)
- Não aquece quase nada quando está a ser carregado e a ser utilizado ao mesmo tempo.
- Fotografias e vídeos com qualidade impressionante mesmo com mãos que tremem.
- Design porreiro.
- Capa de silicone incluída.
- Sem portes de envio e entrega em mãos em cerca de duas semanas.
- Nota: não parou na alfândega.

Contras:
- Um nadinha pesado (130 gramas cansa passado algum tempo de utilização).
- A iluminação de ecrã mais fraca podia ser mais fraca ainda.
- A luz de notificação para qualquer coisa é sempre vermelha (se calhar tenho de explorar melhor).
- O carregador é branco (mas o telemóvel é preto... mexe-me com os nervos).

Mais informações no site da Gearbest:
Cubot Manito 4G Smartphone Preto (preço: 94,93€)
Cubot Manito 4G Smartphone Dourado (preço: 81,23€; 32 disponíveis)
Cubot Manito 4G Smartphone Branco (preço: 81,23€; 31 disponíveis)

Vanessa

sábado, 8 de abril de 2017

Samuel L. Jackson Says It Best

Working in transcription sometimes make me wonder whether I’m too demanding or critical of other people, especially those who are supposedly professionals working in communication roles, but then I’m sure I’m not. It’s come to the point where a reasonable interview is a unicorn. Most interviewers I transcribe do one or more of the following: not preparing questions in advance and therefore make a fool of themselves while stumbling on words; not listening while the interviewee is speaker either by continuing to ask questions previously answered or speaking over the poor person; make all sorts of noises right next to the recorder and drowning all the content, including pens clicking, crumbling food wrapping and/or eating, tapping their fingers.

Most important of all: not speaking properly. It makes me think the recorder has special powers and renders people speechless when turned on. But here, Samuel L. Jackson says it best:



Vanessa

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pepsi, mas que raio?!

Não sei se viram o último anúncio da Pepsi com Kendall Jenner, mas eu vi e não gostei. A Pepsi usou como temática os protestos que temos vindo a ver nas notícias, juntou-lhe uma Kendall Jenner e umas latas de Pepsi, algumas caras e cartazes genéricos, e depois um momento icónico com a Kendall Jenner a oferecer a bebida a um polícia. O anúncio parece caricaturar questões modernas importantes e quase chega a parecer uma sátira, como se a resolução de um dos problemas em cima da mesa fosse tão simples como beber um refrigerante.

Eu que sou fã de Pepsi fiquei desiludida. Sem conhecer a equipa por detrás do anúncio, arrisco dizer que um dos problemas que os protestos representam na vida real é a falta de igualdade racial, o que ficou comprovado porque com certeza não deve haver um único negro(a) na equipa de marketing que criou esta publicidade. 

Por falar nisso, não há nenhuma mulher negra no anúncio senão aquela que está a fazer de assistente de Kendall Jenner na sua sessão fotográfica fictícia, a mesma que depois leva com a peruca loira que a modelo atira para trás para ir protestar. E por falar em protestar, o que pode uma socialite ter para protestar? Ainda para mais uma celebridade que apenas o é porque uma das irmãs saltou para a ribalta devido a uma indiscrição e que nunca antes se tinha pronunciado acerca de protesto algum? Se houvesse pior pessoa para representar uma geração e suas angústias, a Pepsi tê-la-ia escolhido, com certeza. Foi essa a impressão com que fiquei da marca.

Já agora, para quem não viu:



Vanessa

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Do papel para o blogue I

Sem Título

Eras
chave
eu
fechadura
errada

Porta trancada.

(abri a janela)

Não estava datado, para variar, mas o caderno tem outras coisas de 2005.

Vanessa

Espaço mental

As coisas com que as pessoas normais lidam são para mim espaço mental ocupado. Assuntos para tratar de variada espécie fazem-me espécie. Consomem-me neurónios. Sei, porque o sinto. Se há alguma coisa pendente para tratar, fico com um post-it no cérebro, que está sempre à vista e distrai a atenção. As pessoas que conheço agendam os seus dias para tratar de tudo com normalidade. Já eu, se há alguma coisa para tratar pós-horário de trabalho, não sou tão produtiva. Um mero telefonema é para mim um pequeno momento de pânico e exige toda uma preparação psicológica. O que não estou é preparada, nunca, para ser adulta. 

Detesto assuntos pendentes. Abomino burocracia. Gosto de livros em papel, mas odeio papelada. Gosto de não ter nada para tratar. O que não é mau. Significa que resolvo tudo prontamente para nada ficar por fazer, o que resulta em que as outras pessoas me considerem célere e nem seja preciso fazer listas do que tenho pendente. Significa que já fui pior no que respeita a estas coisas e que um dia vou ser melhor ainda.

Vanessa