quarta-feira, 21 de junho de 2017

Um passito para a frente, dois para trás

Vanessa vai toda contente trocar uma raspadinha, no meio de quatro ou cinco*, que a contemplou com o exorbitante prémio de um euro. Sentia-se milionária, como é óbvio. "Mas, Vanessa, tu não andas sempre a dizer que és uma pessoa azarada?" Calma, amigos. Continuem a seguir a narrativa.

Para não parecer gananciosa e porque os seus instintos estão estragados, Vanessa troca aquela por outra raspadinha e após alguma ponderação ainda compra outra, paga com uma nota de cinco e recebe troco.

Contexto: há uma tabacaria no fundo do supermercado e Vanessa caminhava em direcção à saída quando...

Como sempre, Vanessa faz malabarismos com as mãos e põe as moedas ao calhas na carteira, que diga-se de passagem já não vai para nova e tem uns buracos. Não se sabe se foi de um buraco que caiu ou se foi das mãos que escorregou uma moeda de um euro, claramente na fase rebelde da adolescência, que conseguiu deslizar para debaixo do armário dos medicamentos da primeira caixa do supermercado, junto à porta de saída.

Acontece que o espaço para onde a moeda deslizou é apenas suficiente para lá caber uma moeda ou um prego pequenino ou um bocado de cotão e um pedaço de algo que já fora comestível e muito pó. Vanessa sabe disso porque, por incentivo do polícia que testemunhou o acontecimento, que até pensava que a moeda era de dois euros, pediu à moça da caixa para lhe arranjar um pedaço de cartão e toca de tentar recuperar o investimento. Antes disso, tentou o feito com um panfleto. O investimento não foi de todo recuperável com um ou outro.

Vanessa ficou triste, especialmente porque na indecisão sobre o que vestir nesse dia, tinha-se decidido por umas calças também elas rebeldes, que gostam de deslizar perna abaixo, o que não tornou a tarefa de se agachar lá muito agradável, e pensando no perigo de mostrar partes anatómicas normalmente apoiadas numa cadeira o dia todo versus a perda de um euro, considerou a hipótese de deixar a moeda quieta, que se ela tinha tanto apego pelo armário, claramente era uma moeda em plena crise de identidade e precisava de um tempo.

Pensem nisto, amigos que não acreditam quando vos digo que tenho muito azar. Fui trocar uma raspadinha que tinha um euro, mas que tinha custado um euro. Depois troquei-a por outra e ainda comprei outra. Depois perdi um euro do troco. Junte-se a isto as outras quatro ou cinco raspadinhas das quais apenas uma tinha o prémio, fora as outras todas ao longo da vida compradas na esperança de um dia a sorte me abonar.

Vou ouvir a música do Frozen o dia todo para esquecer.

* Quero apenas explicar que normalmente não sou viciada em raspadinhas. O que acontece é que sempre que saio com amigos e eles pagam alguma coisa, para depois serem casmurros e não aceitarem que eu lhes pague, eu uso o dinheiro para comprar raspadinhas, que assim eles já aceitam. Toda esta série de acontecimentos desafortunados teve portanto como causa a M. não ter aceite que lhe pagasse há duas semanas. Agora a M. está de férias, por isso tive de vir para aqui desabafar o meu desfortúnio, quando devia estar a trabalhar para recuperar aqueles euros todos que já perdi em raspadinhas. "Let it go, let it go..."

Vanessa

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Wonder Woman foi uma maravilha

Finalmente uma heroína como deve ser. Finalmente uma mulher a realizar um filme de super-heróis. Finalmente um homem como personagem secundário. Finalmente cenas de luta credíveis com uma mulher. Finalmente pernas longas e fortes, não longas e com aspecto de braços. Finalmente emoção, mas também acção.

Já percebi a razão pela qual os homens me parecem sempre tão mais confiantes, entusiasmados e às vezes primitivos em relação às mulheres. Depois de ver uma mulher a dar cabo dos maus da fita em Wonder Woman, Mulher Maravilha em português, também eu me senti confiante, entusiasmada e pronta para qualquer luta.

Felizmente Diana, personagem principal, não é como o Batman e o Super-Homem, tão preocupados com a humanidade que evitam matar pessoas, mas depois nos últimos filmes são hipócritas e andam para ali a dar cabo de cidades inteiras. Diana não tem problemas em desatar à porrada e seja o que deus quiser. Maravilha.

Se quiserem um resumo do filme, aquilo é a estória de uma mulher criada por mulheres, todas fortes, musculadas e inteligentes, num mundo paralelo que é invadido por homens do nosso mundo em tempo de guerra. Essa mulher decide vir para o nosso mundo com um homem que lhe diz aquilo que pode ou não fazer. A mulher está-se nas tintas para o que ele diz e faz na mesma, e o assunto fica resolvido na maioria das vezes.

É pena que só em 2017 tenhamos um filme deste género com uma mulher super-heroína como protagonista. Mas finalmente posso perguntar a um homem, de forma condescendente como se quer, se foi ao cinema com a companheira ver o filme, em vez de ser o contrário porque dantes quase só havia homens em filmes de super-heróis, ou quando a pergunta era dirigida a homens, era porque se tratava de uma comédia romântica.

Generalizações e comentários preconceituosos à parte, este filme merece ser visto por mulheres e homens.

Vanessa

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Mas que drama, D.A.M.A.

"Se sim tasse bem, se não tasse bem também" escreveu a banda D.A.M.A. porque, e passo a citar da sua conta no Twitter, "Em Português, o Pretérito Imperfeito no Subjuntivo do verbo é Estasse, abreviado ‘Tasse." O tweet era mais longo, com uma frase em jeito de prefixo de mau humor em resposta à moça que lhes corrigiu o português com um simples "'Tá-se" na rede social: "Olá Sofia. Em que língua?" Como se não bastasse, ainda temperaram o comentário com uma bela de uma hashtag #thinkbeforeyouspeak (pensa antes de falares). 

Com contexto é melhor. Assim é o comentário inteiro: "Olá Sofia. Em que língua? Em Português, o Pretérito Imperfeito no Subjuntivo do verbo é Estasse, abreviado ‘Tasse. #thinkbeforeyouspeak". Verdade seja dita, a banda desculpou-se a Camões e à fã em questão, mas eu não consegui esquecer o caso. Em vez de recalcar o acontecido, a minha memória insiste em lembrar-me que há pessoas que não sabem usar um vocativo.

Um dos detalhes que me assombra foi ter visto uma ou duas notícias sobre todo o escândalo e ficar a saber que D.A.M.A., banda sobre a qual nunca gastei um pensamento, é uma sigla que agora associo a um erro de concordância: Deixa-me Aclarar-te a Mente Amigo. Por esta razão, refiro-me à banda D.A.M.A. em vez de dizer "os" D.A.M.A., caso contrário estou a dizer os Deixa-me Aclarar-te a Mente Amigo, e já basta a confusão que me faz não haver ali uma vírgula antes do amigo e estes moços terem sido arrogantes na sua ignorância.

Volto a referir que a banda pediu desculpas em público, na mesma rede social onde toda a questão se desenrolou na terça-feira, mas volto também a referir, caso não tenha ficado claro a quem lê este blogue, que o mau português me dá nervos gramaticais, facto que explorei neste belo poema e ainda neste.

A moral desta estória é com certeza pensar antes de falar, mas mais importante que isso, que da oralidade só reza a estória quando há pontos acrescentados, ou algo do género que eu também não sou perfeita, bem mais importante é pensar antes de escrever. Especialmente nas internet. Especialmente se forem famosos. Espero ter aclarado a vossa mente, OLHEM PARA ESTA LINDA VÍRGULA QUE SE SEGUE, amigos.

Isto ficou um pouco confuso para quem não acompanhou a estória, por isso está aqui uma notícia com os factos como se aprende na escola de jornalismo, como quês, quandos, comos, quems, etc. 'Tá-se bem?

terça-feira, 6 de junho de 2017

Buddha bowl ou de como o que sempre fiz tem um nome giro

Buddha bowl ou tigela do Buda é o nome que se dá quando se misturam generosamente vários componentes essenciais numa taça, nomeadamente hidratos de carbono, grãos, vegetais e/ou fruta, proteína e etc. 

Sempre o fiz mais ou menos assim, mas gostei do nome. Normalmente, quando faço refeições assim, mantenho-as veganas ou vegetarianas porque acho que ficam mais zen sem produtos animais.

Como preparo os ingredientes em separado e mantenho-os em caixas para construir os pratos, acabo por comer o mesmo com algumas variações ao longo da semana. Esta é a mais recente: arroz jasmim com cominhos, brócolos cozidos, couve lombarda e cenoura e cebola roxa temperados com coentros, feijão de caril, chucrute de compra (este, do Celeiro), meio abacate pequeno, uma pitada de pimentão vermelho e pimenta preta.
Nota: isto é um prato fundo, não uma tigela, porque não tenho tigelas giras nem fundas o suficiente.

Vanessa

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Em crescimento

É quando o nosso cérebro é precoce e nem tem capacidade para o perceber que vivemos os melhores anos das nossas vidas. É uma partida cruel. Um presente envenenado. Só quando chegamos a adultos é que percebemos a ironia do destino. Quando o tempo já foi, queremos é voltar para trás. Mas foi-se.

É o mesmo que termos quem nos diga que já fomos muito felizes, o mais felizes que vamos ser na vida. 

Só que não nos lembramos.

É o mesmo que estarmos a desfrutar da melhor refeição das nossas vidas, para depois vir o chefe de cozinha dizer que já comemos a sobremesa e que gostámos. Só que não nos lembramos. 

É estarmos no potencial criativo quando ainda nem sabemos usar o nosso cérebro na totalidade.

É para esquecer.

Tudo isto é muito deprimente. Está uma pessoa nos 30, não fez nem metade do que previa já ter concluído por esta altura, e calha ser dia da criança. Má onda. Pior: estava a tirar a roupa do estendal, que é virado para um parque infantil, e o meu pai perguntou-me se não queria ir lá abaixo brincar. Engraçadinho.

Para piorar, andei hoje mais do que num mês inteiro e está assim um frescote estranho. Resultado: sinto-me uma velha resmungona que prevê certos estados climatéricos nos ossos. E falhas de memória.

Vanessa

quinta-feira, 1 de junho de 2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

Na Quinta da Pedra Branca com a Associação Bandeira Azul

A Quinta da Pedra Branca fica ali no meio do nada na aldeia de Monte Gordo, em Sobral da Abelheira, Mafra. Querem coordenadas GPS para ser mais fácil? 38.989944, -9.292201. Mais fácil ainda, na verdade,  é visitar o site: quintadapedrabranca.pt, onde lá estão mais informações, de contactos a variadas receitas.

A Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE) organizou uma visita guiada com a matriarca da família que criou a quinta, Teresa Soler, que nos levou a conhecer os produtos biológicos que dali saem, que respondeu às nossas perguntas de gente da cidade e que ainda nos ofereceu dois dedos de simpática conversa.

Ficam as fotos. Spoilers: vimos couves várias, incluindo couve-de-bruxelas, alfaces, beterrabas liláses, beldroegas, acelga, alho francês, hortícolas de várias cores e feitios, e acima de tudo com personalidade, morangos, galinhas, porquinhos, gatinhos, mangas e fruta desidratada. O que não se vê aqui é pretexto para visitarem a quinta.
Esta última foto mostra a tal da pedra branca que dá nome à quinta. Toda o terreno da quinta era feito desta pedra branca, mas a família Soler tornou o terreno arável e fértil.

A Quinta da Pedra Branca faz entregas ao domicílio. Mais informações neste link.


Vanessa

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Há um ano

Passei o dia de 25 de Maio de 2016 a atravessar o tempo e o espaço para regressar a casa depois de ter estado em casa. Goa foi uma aventura de quase seis meses que terminou quando aterrei em Portugal a 25 de Maio de 2016, num dia que se prolongou pelo longo mergulho no fuso horário do qual acho que ainda estou a recuperar. Nada mudou deste esse dia até hoje excepto eu. Não faço mais do que fazia mais sei mais do que sabia.

Vanessa

terça-feira, 23 de maio de 2017

Obviamente

Tive um professor que dizia que o óbvio não se diz nem se pergunta. Como é óbvio, a tal declaração sucederam-se vários pedidos de esclarecimento, até porque, sensatos alunos que éramos, já em novos sabíamos que muita coisa no mundo é relativa, incluindo juízos de valor, de quantidade, de obvietude. Que inquietude.

Anos a seguir, que é como quem diz, já eu era bem mais velha do que aquando da declaração, comecei a reparar que o que para mim é óbvio obviamente não o é para a restante humanidade, incluindo e talvez em exclusivo aquilo que para mim, além de óbvio, é também senso comum. Correndo aí o risco de soar condescendente ou imatura por ter de referir o óbvio quando não conheço do indivíduo o que importa saber para adequar o discurso em conformidade, acabo por ter de explicar em minúcia ou solicitar o que já estava implícito.

Tempo mais adiante ainda, hoje em dia o óbvio é apenas adereço. Esqueci o que aprendi, e muito especialmente esqueci o que o professor solicitara, porque hoje em dia dou por mim a ter de repetir o óbvio frequentemente. 

Eu culpo as tecnologias. O acervo tecnológico de uma pessoa é claramente inversamente proporcional à capacidade de essa pessoa compreender senso comum e agir como uma pessoa adulta dos anos 90.

Às mulheres, a tecnologia proliferou a certeza de uma igualdade que ainda não se concretizou. Nessa lógica, a internet mostra-nos exemplos de como ainda falta tanto para evoluirmos ou ideias para conseguirmos chegar ao primórdio da igualdade. Aos homens, a tecnologia abriu caminho a uma imaturidade nunca antes vista, que se multiplica num sem fim de engenhocas. A internet desdobra-se em páginas de possibilidades, olha botões e penduricalhos e tanta coisa que este gadget pode fazer por ti para que tu possas ficar aí sem fazer nada.

Estou confiante na minha própria parcialidade. Arrisco dizer que as circunstâncias estão assim divididas porque as mulheres ainda têm muito para fazer antes de se poderem divertir com gadgets. Há alturas em que uma pessoa precisa de generalizar para poder desfrutar da catarse que é falar mal de outrem. Perdoem-me.

Mas isto do óbvio não é apenas pretexto para falar mal dos homens, que uma pessoa até gostava de o fazer, mas não pode citar nomes e muito menos exemplos, porque agora não tenho um blogue anónimo e depois ficava sem amigos. Posso muito bem agora espetar aqui um exemplo que me contorce as entranhas desde que o fenómeno começou: ter de pedir para colocar manteiga nas sandes. No tempo daquele meu professor que falava do óbvio como se ele fosse óbvio, não era preciso pedir manteiga nas sandes em lado algum.

Obviamente, hoje em dia não compro sandes no café para não ter de pedir o óbvio. Poupa-se dinheiro e poupa-se paciência. Será isto uma metáfora? Obviamente. Dá para adequar ao que for preciso, a bem da sanidade.

Se eu me pusesse para aqui a escrever aquilo que é óbvio, perdia-se o propósito deste texto.

Vanessa

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Espaço precisa-se

Isto não anda a funcionar bem. Refiro-me ao meu teclado. É fácil adivinhar que o considero assunto fascinante o suficiente para escrever sobre ele agora pela terceira vez. Depois de o E ter decido mudar a sua anatomia, tornando-se um F, é agora o espaço que demonstra que decidiu mudar. Tornou-se sedentário.

Não se quer mexer, o dito. Dantes bastava um leve toque do polegar. Agora o polegar tem de ser estrategicamente colocado para embater no sítio onde o espaço verga mais facilmente. Tem sido uma luta constante. Um pouco de violência de vez em quando ajuda. Ele percebe a mensagem e cede.

Seeudeixar,omeuespaçodeixaosmeustextosassim. Teimoso.

Vanessa

terça-feira, 16 de maio de 2017

O local perfeito para a Eurovisão em Portugal

Ocorreu-me ontem. Enquanto as caixas de comentários de tudo quanto é sítio se enchem das disputas do costume (Lisboa versus Porto), com umas minorias a sugerir destinos menos comuns e outros já de si turísticos, inspirei-me eu em acontecimentos recentes e sai de mim a melhor ideia de sempre: a Eurovisão em Portugal devia ser mas é em Fátima. Coube lá um milhão de pessoas. Não haveria de caber o pessoal festivaleiro também? Abençoado já está. Anúncios de alojamento absurdos também. Espaço não falta. 

Para mim a questão está resolvida.

Vanessa

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Tudo normal

Não ligo à maioria das coisas que cativa o que me parece ser o mundo inteiro. Por isso, foi um fim-de-semana normal. Sem efes: sem Fátima, sem futebol, sem festival. Não me livrei dos barulhos de quem vibra por tais fenómenos, de comentários e perguntas sobre o que achei e das buzinas à distância. Ainda dei uma vista de olhos pelos pontos altos, o suficiente para me lembrar de que não sofro de patriotismo. 

Ainda senti um arrepiozinho com a música da Eurovisão, mas porque é bonita; não porque ganhou. Já tinha gostado da música antes. Gosto o mesmo, mas agora com uma pitada de orgulho. O que o moço diz ou que dizem que disse não me interessa muito. Vou continuar a ouvir a música, o que é uma raridade nas andanças do festival, e duvido que seja uma música de passagem. Gosto da tonalidade antiquada e da melodia.

Ao menos com isto uma pessoa sabe que o romance não está morto e que não estamos dormentes de sensacionalismos porque sentimos alguma coisa. O mundo precisa de coisas que nos façam sentir. Eu cá sinto muito não gostar de futebol e de festivais e de religião. Sinto muito e ao mesmo tempo sinto nada.

A isso se chama zen.

Vanessa

sexta-feira, 12 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Vogue Índia, mas que raio?!

A Índia é um país muitíssimo pequeno e com pouquíssimos habitantes. Consequentemente, tem pouquíssimas personalidades como modelos, actrizes e afins. É essa a razão pela qual a personalidade escolhida para a capa do décimo aniversário da revista Vogue Índia é Kendall Jenner. Quem visse este post e depois o outro sobre a Pepsi, diria que eu tenho algo contra a rapariga. Nem por isso. Tenho é senso comum. Mas há marcas que não.

Afinal de contas estamos a falar da Índia, onde a indústria de cremes branqueadores de pele ultrapassa as vendas da Coca-Cola (e talvez também da Pepsi... olha-me eu a ser agressiva). Faz toda a lógica, por isso, expor na capa de uma publicação num país maioritariamente de pessoas de tons dourados e até com tonalidades de chocolate de leite, publicação essa dirigida a indianos (como é que eu sei? há Índia no nome da revista), uma modelo norte-americana de pele branca, fotografada por um fotógrafo peruano, Mario Testino.

Há tanto para falar em relação a este assunto, mas a burrice e a ignorância são coisas cansativas. Isto é uma exaustão. Alguém me explique o que se passa com o mundo, porque eu certamente não entendo.

Antes deste, houve este:

Vanessa

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Bruno, se estás a ler isto, perdoa os teus amigos

Duas vozes sobrepuseram-se ao som dos meus fones. Dois meninos suplicavam que Bruno os perdoasse. Diz um: "Desculpa-nos, Bruno. Não acabes a nossa amizade". Diz o outro: "Sim. Ainda temos muito para viver juntos". Diz o primeiro: "Desculpa-nos, Bruno. Ainda temos muitos anos pela frente. Não fiques chateado". Diz o segundo: "Vá lá, Bruno". Eram súplicas dramáticas. Não lhes vi o rosto, mas devem ser dos muitos miúdos que andam na escola primária e que passam pela frente da minha casa. Se estás a ler isto Bruno, que és meu vizinho e quero o teu bem, por favor perdoa os teus amigos, que eles gostam tanto de ti que até te gritam súplicas pela janela.

Vanessa

"E aí nada acontece. Porém, quase tudo acontece".

Jout Jout é uma das minhas youtubers preferidas e o último vídeo da Jout Jout é um dos meus preferidos. Ela começa por falar sobre o trânsito na Índia e sai-se com a tirada que coloquei ali no título. É bem verdade. Nunca lá vi um acidente que fosse, precisamente porque tudo quase acontece, mas nada acontece. Há famílias inteiras em cima de motas, sem capacete, no meio daquilo que me parece um caos. Porém, nada acontece.

É um fenómeno quase sobrenatural. Há ali todos os ingredientes para tragédias acontecerem. Junte-se a isso à aparente despreocupação pela própria vida que leva indianos a cometer loucuras como atirarem-se para a estrada porque nenhum carro dá passagem ou ultrapassarem carros que estão a ultrapassar outros carros. Porém, nada acontece e todos saem ilesos. Como, não sei, mas fui testemunha de muitos exemplos.

Jout Jout falou ainda dos meninos indianos que andam de mãos dadas uns com os outros. Não sei se foi o meu comentário ou se quem viu o vídeo foi depois pesquisar no Google e encontrou este meu post, mas hoje esse post ressuscitou. Teve 13 visitas. Espero que quem o leu tenha gostado. Se não, vejam o vídeo da Jout Jout.



Vanessa

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Coisas que o meu (novo) telemóvel viu | Palácio Nacional de Belém

Tudo em HDR (High Dinamic Range) e com um pequeno ajuste no contraste, no auto nível e na iluminação como é habitual. Todas tiradas enquanto o povo dava em louco a tirar fotos com o Presidente Marcelo.

Para comparar com as fotos que o telemóvel antigo (Sony Ericsson Xperia) tirava:

Vanessa

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Atenção: aqui há muita secura XX

Detesto quando olham para mim e me dizem que tenho o corpo de uma pessoa de 18 anos. 

Pensava que tinha cometido o crime perfeito.


Vanessa

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Nem vais acreditar neste post sobre clickbait. É mesmo incrível!

Clickbait, qualquer coisa como isco de cliques em português, consiste em cativar o clique dos cibernautas através de frases cativantes. Normalmente isso traduz-se em afirmações polémicas e imagens controversas.

Os sites que recorrem ao clickbait precisam de captar a abertura das suas páginas, porque é disso que vivem os autores dessas páginas. As visualizações de página são importantes pelos anúncios aí presentes.

Enquanto que as manchetes já tentavam cativar os leitores com as "gordas" e sempre existiram estilos considerados sensacionalistas semelhantes aos exemplos de clickbait de hoje, a internet mudou o cenário.

Hoje em dia é muito mais comum jornais credíveis recorrerem a títulos sensacionalistas na internet para cativarem visualizações mesmo que as edições em papel mantenham a integridade de antigamente.

Não me afecta de modo algum que isso aconteça desde que a o título não contenha afirmações duvidosas. Também não me afecta que as páginas incitem os títulos com comentários do género "nem vais acreditar na sexta razão pela qual as mulheres vão dominar o mundo" (totalmente fictício e acabadinho de criar).

Sei que para desfrutar de conteúdo gratuito para mim não posso criticar certos meios de comunicação de tentarem extrair compensação de onde podem desde que não deturpem aquilo que noticiam para enganar a audiência. O problema é que muitos o fazem, com aguçado engenho que às vezes passa despercebido.

Exemplo, o Semanário Online publicou um artigo com o título "Fátima Lopes - Grávida" no qual mostra fotos de quando a apresentadora estava grávida, apesar de não o estar neste momento, como o título dá a entender.

O Jornal de Notícias, o Jornal Económico e o Expresso escolheram colocar num título que a família da jovem que morreu de sarampo é anti-vacinas. Apenas se sabe que não levou mais vacinas depois de uma reacção alérgica em pequena. Não há declarações da família, portanto o título é especulação.

O Jornal i diz, "The Smiths. Há uma luz que se apagou para sempre." Bem dramático, mas a banda disse que não planeia regressar. Não disse que era para sempre. Mais uma vez, um título especulativo.

Podia dar mais exemplos, porque é o que mais há nas páginas de redes sociais. O clickbait torna-nos propensos à apatia, porque com tanto título dramático e controverso há mais tendência para não acreditar à primeira ou para deixar de levar a sério casos graves. Para mim é esse o problema do clickbait.

Vanessa

terça-feira, 18 de abril de 2017

Recomendações | Três documentários de ver e chorar por menos

Uma das coisas que mais gosto de fazer nos tempos livres é ver documentários. Nem sempre são super informativos até porque alguns são apenas para satisfazer curiosidade mórbida, mas acabo sempre por aprender algo novo. Decidi então partilhar aqui parte do que tenho visto. Estão é todos em inglês. Sorry.

Começo por uma série de documentários que a Al Jazeera colocou no YouTube já há algum tempo, mas os seis episódios perfazem quase cinco horas, por isso demorei uns dois meses até acabar de ver. Trata-se de uma série chamada The Slum que retrata favelas nas Filipinas. Não é recomendado para os fracos de estômago. Deixo-vos com o primeiro episódio para ver se vos interessa. Depois o YouTube recomenda os seguintes.



Real Stories é o nome de um canal no YouTube com documentários britânicos. Normalmente cada documentário retrata um ou vários casos a tocar o bizarro, desde um homem cuja memória dura sete segundos, uma doença que faz com que as pessoas estejam sempre esganadas de fome, e até assassinos em série, perturbações mentais, vícios, e muito mais. O último que vi chama-se Poor Kids e mostra uma série de crianças pobres a falar sobre pobreza e sobre a sua condição em particular. Tudo miúdos espertos neste documentário triste.



Os documentários do canal canadiano The Fifth Estate no YouTube mostram mistérios, controvérsias, casos de vida. Este documentário em particular, Cross Lake: "This Is Where I Live", conta as histórias de jovens habitantes descendentes de indígenas de Cross Lake, na província de Manitoba, no Canadá, onde mais de 140 jovens tentaram suicidar-se no Inverno de 2016, o que colocou a província em estado de alerta. Este documentário mostra um ano de filmagens com alguns dos protagonistas destas histórias.



Não me apercebi de que só tenho visto documentários em inglês e de que são todos deprimentes. Acabei por mudar o título deste post por causa disso. Queria ver menos, muito menos coisas assim, mas prefiro ver e conhecer estas realidades a permanecer na ignorância e entregue ao sentimento de legitimidade que às vezes se sente, como se as nossas vidas já não fossem melhores do que muitas outras como estas que aqui mostrei.

Vanessa

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Catarse em memes XIII | As várias fases do trabalho freelancer


Lavar. Passar por água. Repetir.


Vanessa

Jornalixo III

Correu dia 15 de Abril a notícia de que um casal norte-americano tentava recorrer a um tratamento de fertilidade quando descobriu um laço de parentesco. Marido e mulher não só eram irmãos como eram gémeos.

Só que não. A notícia é digna do Correio da Manhã, que por acaso publicou sobre o assunto, mas caíram também na ratoeira o Jornal de Notícias, o Sol, o Diário de Notícias e a TVI24. A fonte era um suposto jornal, o Mississipi Herald, que nem sequer existe senão num site duvidoso provavelmente criado por tróles (do inglês, trolls).

O pessoal ter acreditado numa notícia assim, ainda para mais publicada num site não listado no Google News, é que devia ter sido notícia. Convenhamos. Isto é para lá de bizarro.


Vanessa

quarta-feira, 12 de abril de 2017

a, f, i, o, u

O meu E transformou-se em F porque perdeu uma perna e então o meu teclado passou de QWERTY a QFERTY. Não sei da perna do E. Terá ficado agarrada a um dos dedos da mão esquerda? Terá ficado agarrado ao dedo do meio e por isso decidiu transformar-se na primeira letra de um conhecido praguejo? Fónix, claro.

Claramente eu dou muito na cabeça do E. Para o compensar devia corrigi-lo com corrector, daqueles antigos que deixavam um exagero de tinta e só chamavam atenção para o facto de termos errado.

Além do E, só o M parece estar em vias de se transformar noutro símbolo, o maroto. Está a perder o meio. Está a ficar sem virtude. Vai transformar-se em dois Vv enviesados e inacabados a fazer o pino.

Eu felizmente ainda não perdi nada de mim, mas perco-me nestas letras e é por isso que elas fogem assim. Agradecida pela atenção dispensada, vocês que deixaram mais de 90 visitas ao post a, e, i, o, u.

Calculei que estivessem interessados em mais notícias a partir de e sobre o meu teclado.

Vanessa

terça-feira, 11 de abril de 2017

Book Review | The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

How would aliens see us, humans? In The Hitchhiker's Guide to the Galaxy you get one possible outlook on planet Earth. For a book published in 1979, Douglas Adams had quite a futuristic viewpoint. 

It only adds to the experience that his is quite satirical as well. So this book starts minutes before our planet is set to be demolished to create a galactic highway, coincidentally right when Arthur Dent’s house is also set to be demolished. His best friend Ford Prefect, an alien who’s been commissioned to write for the Hitchhiker's Guide to the Galaxy, takes him away for a trip where all kinds of weird happen because... well, aliens.

One certainly has to read this book with an open mind, not expecting realistic stuff to happen. The odds are always something bizarre and characters are often unpredictable, and with names very hard to pronounce. All scenarios are minimally described, so you as the reader needs to do some brain work to set up everything and not think about how our reality is now. For example, Adams describes machinery and computers at a time where they were not as developed as they are now, so one has to be careful not to smudge his descriptions with today’s views. It is quite the exercise. It put me in Deep Thought (pun for those who read the book).

This is the first book in a trilogy of five. While it was entertaining and so much fun, I feel this book works great as a standalone, though as soon as I find the other books at a discount price, I will probably build up my collection and continue following the strange group of individuals that makes up this book. Fortunately, the movies stopped at the first one. No way they could make another one without Alan Rickman.

8/10

Here's how you can buy this book online and the best prices I found:

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Atenção: aqui há muita secura XIX

No outro dia pus-me de gatas no supermercado. Queria ver se encontrava preços baixos.

Review: Cubot Manito 4G

Cubot Manito 4G é o nome do smartphone que comprei há pouco mais de uma semana. Após a compra estou muito satisfeita. Verdade seja dita, passei de burro para cavalo de um momento para o outro, tive de reaprender muito sobre o manusear do bicho, tive de dizer adeus ao teclado físico que o antigo tinha, e tive de me habituar a um telemóvel com o tamanho de um pequeno tablet. Olá século XXI. Prazer estar aqui.

Como de especificações não sei nada (foi uma compra feita por recomendação de quem sabe) faço aqui uma cópia descarada do que estava descrito no site GearBest, onde o comprei: 

Cubot Manito Android 6.0, ecrã de quase 13 centímetros (5.0 polegadas), CPU: MTK6737 Quad Core 1.3GHz, RAM + ROM: 3GB RAM + 16GB ROM, câmara traseira com 8.0 megapixels (equivalente a 13.0) e câmara frontal com 1.3 (equivalente a 5.0), Bluetooth 4.0, GPS, A-GPS, Sensor: G-sensor, Proximity sensor, Accelerometer, Light sensor, dual SIM (um micro, outro nano). Traduzido por miúdos: é um bom smartphone e teve 59% de desconto.

Além de review isto é também publicidade, porque a GearBest tem um programa de afiliados e aceitou a minha adesão. Aqui está o link caso queiram ver mais especificações e fotos do Cubot Manito.

Vamos à minha humilde opinião.

Prós:
- Qualidade versus preço (94,93€)
- Intuitivo (sou um pouco azelha e até agora não tive grandes problemas).
- Ecrã grande (bom para ler artigos longos e essas coisas).
- Capacidade de resposta mais rápida do que o meu cérebro aguenta.
- Som potente (ponho música na cozinha e ouve-se na casa toda, mas não me perguntem as medidas da casa).
- Apanha wireless que é uma maravilha (até na casa-de-banho).
- A bateria dura bastante (1 x 2350mAh e supostamente dura mais 25% do que os outros smartphones Android)
- Não aquece quase nada quando está a ser carregado e a ser utilizado ao mesmo tempo.
- Fotografias e vídeos com qualidade impressionante mesmo com mãos que tremem.
- Design porreiro.
- Capa de silicone incluída.
- Sem portes de envio e entrega em mãos em cerca de duas semanas.
- Nota: não parou na alfândega.

Contras:
- Um nadinha pesado (130 gramas cansa passado algum tempo de utilização).
- A iluminação de ecrã mais fraca podia ser mais fraca ainda.
- A luz de notificação para qualquer coisa é sempre vermelha (se calhar tenho de explorar melhor).
- O carregador é branco (mas o telemóvel é preto... mexe-me com os nervos).

Mais informações no site da Gearbest:
Cubot Manito 4G Smartphone Preto (preço: 94,93€)
Cubot Manito 4G Smartphone Dourado (preço: 81,23€; 32 disponíveis)
Cubot Manito 4G Smartphone Branco (preço: 81,23€; 31 disponíveis)

Vanessa

sábado, 8 de abril de 2017

Samuel L. Jackson Says It Best

Working in transcription sometimes make me wonder whether I’m too demanding or critical of other people, especially those who are supposedly professionals working in communication roles, but then I’m sure I’m not. It’s come to the point where a reasonable interview is a unicorn. Most interviewers I transcribe do one or more of the following: not preparing questions in advance and therefore make a fool of themselves while stumbling on words; not listening while the interviewee is speaker either by continuing to ask questions previously answered or speaking over the poor person; make all sorts of noises right next to the recorder and drowning all the content, including pens clicking, crumbling food wrapping and/or eating, tapping their fingers.

Most important of all: not speaking properly. It makes me think the recorder has special powers and renders people speechless when turned on. But here, Samuel L. Jackson says it best:



Vanessa

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pepsi, mas que raio?!

Não sei se viram o último anúncio da Pepsi com Kendall Jenner, mas eu vi e não gostei. A Pepsi usou como temática os protestos que temos vindo a ver nas notícias, juntou-lhe uma Kendall Jenner e umas latas de Pepsi, algumas caras e cartazes genéricos, e depois um momento icónico com a Kendall Jenner a oferecer a bebida a um polícia. O anúncio parece caricaturar questões modernas importantes e quase chega a parecer uma sátira, como se a resolução de um dos problemas em cima da mesa fosse tão simples como beber um refrigerante.

Eu que sou fã de Pepsi fiquei desiludida. Sem conhecer a equipa por detrás do anúncio, arrisco dizer que um dos problemas que os protestos representam na vida real é a falta de igualdade racial, o que ficou comprovado porque com certeza não deve haver um único negro(a) na equipa de marketing que criou esta publicidade. 

Por falar nisso, não há nenhuma mulher negra no anúncio senão aquela que está a fazer de assistente de Kendall Jenner na sua sessão fotográfica fictícia, a mesma que depois leva com a peruca loira que a modelo atira para trás para ir protestar. E por falar em protestar, o que pode uma socialite ter para protestar? Ainda para mais uma celebridade que apenas o é porque uma das irmãs saltou para a ribalta devido a uma indiscrição e que nunca antes se tinha pronunciado acerca de protesto algum? Se houvesse pior pessoa para representar uma geração e suas angústias, a Pepsi tê-la-ia escolhido, com certeza. Foi essa a impressão com que fiquei da marca.

Já agora, para quem não viu:



Vanessa

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Do papel para o blogue I

Sem Título

Eras
chave
eu
fechadura
errada

Porta trancada.

(abri a janela)

Não estava datado, para variar, mas o caderno tem outras coisas de 2005.

Vanessa

Espaço mental

As coisas com que as pessoas normais lidam são para mim espaço mental ocupado. Assuntos para tratar de variada espécie fazem-me espécie. Consomem-me neurónios. Sei, porque o sinto. Se há alguma coisa pendente para tratar, fico com um post-it no cérebro, que está sempre à vista e distrai a atenção. As pessoas que conheço agendam os seus dias para tratar de tudo com normalidade. Já eu, se há alguma coisa para tratar pós-horário de trabalho, não sou tão produtiva. Um mero telefonema é para mim um pequeno momento de pânico e exige toda uma preparação psicológica. O que não estou é preparada, nunca, para ser adulta. 

Detesto assuntos pendentes. Abomino burocracia. Gosto de livros em papel, mas odeio papelada. Gosto de não ter nada para tratar. O que não é mau. Significa que resolvo tudo prontamente para nada ficar por fazer, o que resulta em que as outras pessoas me considerem célere e nem seja preciso fazer listas do que tenho pendente. Significa que já fui pior no que respeita a estas coisas e que um dia vou ser melhor ainda.

Vanessa

sexta-feira, 31 de março de 2017

Não ler rótulos é uma irresponsabilidade

Vejo pais estafados a tentar controlar os filhos nas filas do supermercado. Depois olho para as compras e não me admiro. Se mais de metade das compras são produtos que eu sei que levam açúcar, e não é pouco, fora os outros como a fruta e os hidratos de carbono, não é surpreendente que os miúdos não parem quietos.

Não ler rótulos é para mim uma irresponsabilidade, que nos casos dos pais roça a negligência. Fazê-lo foi uma das coisas mais úteis que aprendi na escola, para dizer a verdade. É-me impossível não querer saber aquilo que ingiro. Não quero com isto dizer que todas as pessoas devam fazer o mesmo, mas é importante que pelo menos tenham uma noçãozinha e não se fiem pelo que diz a parte da frente da embalagem, como já escrevi aqui.

Apesar de não ser especialista e muito menos nutricionista, fico espantada com a quantidade de embalagens enganadoras que as pessoas levam para casa. É raro ver compras saudáveis no supermercado. A maior parte inclui iogurtes cheios de açúcar (no fundo quase todos), cereais cuja dose normal (não a de 30 gramas usadas como exemplo, que isso não é nada para um pequeno-almoço) é o equivalente a meio bolo de aniversário, bolachas com embalagens que sugerem serem saudáveis mas que estão carregadas de xarope de glicose, etc.

Não me admiro com as estatísticas relacionadas com diabetes, colesterol e até cancro. A parte mais radical do meu cérebro diz-me que a alimentação da era moderna é um exemplo da sobrevivência dos mais fortes, e hoje em dia os mais fortes são aqueles que sabem o que consomem. Os outros ficam à mercê da capacidade de resistência do corpo à porcaria que ingerem. Se são bem-sucecidos? vejam-se as estatísticas. Sei que é triste pensar assim, mas até a parte mais sensível do meu cérebro acredita nessa parte radical.


Vanessa

Atenção: aqui há muita secura XVIII

Melhores dias estão por vir.

Sim. Chamam-se sábado e domingo.

Apesar do nome, aqui não se passam secas (ler sécas e não sêcas).

Vanessa

Quando ouvirem as minhas ideias mais bizarras lembrem-se

... Que abriu em Lisboa uma loja que vende apenas patinhos de borracha. Não estou a criticar os autores da ideia ou a duvidar do seu faro para o negócio. É só para que se saiba que hoje em dia nada é bizarro. Agora há mais este argumento: há quem venda, apenas e só, patos de borracha. Esta é especialmente dedicada a quem já revira os olhos quando digo que gostava, hipoteticamente, de um dia abrir uma livraria.

Vanessa

quinta-feira, 30 de março de 2017

a, e, i, o, u

Queria escrever com caneta e papel todo o dia, rasurar e fazer buracos no papel, e deixar um rasto de pensamentos perdidos e ideias incompletas. Tenho um teclado que gasta os dedos da vontade de pegar na caneta, com as vogais quase feitas em crateras, apesar de não me lembrar de usar tantas vogais. As vogais são seres invisíveis como as engenhocas dentro dos computadores que fazem tudo funcionar. Tenho as minhas vogais tão gastas como a vontade, mas tenho uma pilha de papel e canetas novas. Tudo por usar.

À espera do tempo e dos dedos gastos de vogais a desaparecer.

Vanessa

Prazer peculiar II

Comprei um telemóvel. Quem me conhece sabe que tal feito é um evento por si só. Este foi o segundo telemóvel que comprei na vida e o primeiro smartphone que comprei. O anterior era smartphone mas foi-me oferecido. Antes disso comprei um e antes desse tive outro comprado pelos meus pais. Só tive telemóvel aos 18, o que quer dizer que em 12 anos tive quatro. Continuo a achar que são muitos telemóveis para uma pessoa só.

Serve isto para descrever o prazer peculiar que é retirar a película dos ecrãs. Tendo em conta que este é o maior telemóvel que comprei, a película, pensei eu quando o vi, seria enorme. Só que não. Não tinha.

Foi a minha maior desilusão com este telemóvel. Não consigo descrever ao certo o prazer de descascar o ecrã, de sentir o plástico descolar lentamente, quase sem som, todo esse processo, e depois o ecrã a parecer limpo como janelas acabadas de limpar. É mesmo uma coisa digna dos fanáticos do ASMR, qualquer coisa em português como resposta sensorial autónoma do meridiano. É o chamado orgasmo do cérebro.

Mas descansem que esta estória teve um final feliz, porque eu tenho um Inspector Gadget na minha vida, que é como quem diz um namorado que adora maquinetas, que me trouxe uma película de um Samsung Galaxy não-sei-das-quantas que cabe perfeitamente no meu novo telemóvel (é tão estranho dizer isto). Foi assim, que ao segundo dia de uso, pude retirar a película ao meu novo brinquedo. Até tive um arrepio.


Vanessa

quarta-feira, 29 de março de 2017

Não vos entendo,

Pessoas que fazem perguntas no Facebook que mais valia botarem num qualquer motor de busca em vez de fazerem figura de tolinhos. Não vos entendo, pessoas que vão para os comentários dos artigos partilhados no Facebook fazer perguntas sobre o seu conteúdo. Mesmo que estejam com dados móveis, não vos entendo. Não entendo pessoas que sei terem acesso à internet e que mesmo fazem perguntas como se a internet não existisse. Eu até percebia no tempo dos dicionários e enciclopédias. Nem todos os tinham em casa. Pegar num era só por si uma tarefa hercúlea. Procurar envolvia todo um método que era ensinado na escola. Hoje em dia não entendo.

Vanessa

quinta-feira, 23 de março de 2017

Inconveniências

É quando tenho o browser cheio de abas abertas e estou envolvida em trabalho que me surgem as melhores ideias criativas. É quando estou quase a adormecer que me surgem as segundas melhores ideias. É quando não tenho nada com que escrever que me surgem as terceiras melhores. É sempre uma inconveniência.

É triste quando ideias criativas são vistas como inconveniência e não como sinal de uma mente sã. É triste que alguém tenha definido o dia de uma pessoa como oito horas de sono, oito horas de trabalho e oito horas de lazer, quando na verdade nunca é nada assim. Nas oito horas de lazer estão incluídas obrigações.

Mas essas obrigações não são um fardo. São essenciais à sã vivência. Fazer compras, atender às necessidades fisiológicas, descontrair, tudo isso são bens essenciais. É triste que eu as veja como obrigações num sentido pejorativo, e não como obrigações no sentido de não poderem ser descuradas em honra de mim própria.

Parece-me que ando toda trocada e que não estou sozinha. Andamos todos trocados tal como as estações do ano estão a ficar confusas e difíceis de prever. Hoje caiu granizo sobre mim. Foi mais do que um baldo de água fria. Foi um momento iluminado. Lembrei-me do que falo aqui nesse momento. Depois disso fiquei gelada.

Vanessa

quinta-feira, 16 de março de 2017

Skip the Dishes cancela entrevista após pergunta sobre o salário

Haverá melhor prova de que hoje em dia um emprego já não é o que era do que uma empresa cancelar uma entrevista porque um candidato fez perguntas acerca do salário? Foi o que a empresa Skip the Dishes fez. Está aqui a estória completa (em inglês). Uma candidata fez uma entrevista telefónica e antes da entrevista presencial perguntou por email que salário e benefícios poderia esperar por parte da empresa. Uma representante da startup canadiana, perante tal questão, respondeu que a pergunta demonstra que as prioridades da candidata não estão alinhadas com as da empresa e que por isso a entrevista ficaria sem efeito. 

Num segundo email foi ainda esclarecido que a pergunta é válida mas que tendo sido feita tão cedo no processo de recrutamento levanta preocupações já que a empresa acredita que trabalho árduo e a perseverança são características mais valorizadas do que a compensação. O que me causa a mim preocupação é empresas acharem que a compensação não é um factor preferencial ou eliminatório para um candidato. Afinal de contas, um emprego, diz o dicionário Priberam, é uma "ocupação remunerada e determinada a que alguém se dedica". Se calhar em inglês os dicionários têm uma definição diferente. Ou se calhar emprego não é o mesmo que trabalho. Se calhar a empresa confundiu-se. Ou se calhar eu é que estou confusa. Já não sei nada.

Vanessa

Isto é estranho

Vi o John Wick 2 e gostei. Vi o Logan e gostei. Vi o Batman em forma de lego e gostei. Vi o Hacksaw Ridge e gostei (desde que o Soldado Ryan foi resgatado, não me lembro de gostar de mais nenhum filme de guerra). Vi o Sing e gostei. Vi o Kubo e gostei. Não me lembro do último filme de que não gostei. Algo se passa. Espero que o meu sentido crítico esteja não estragado. Tenho de ver aquele filme da muralha para tirar a teima.

Vanessa

terça-feira, 14 de março de 2017

Uma palavra de cada vez

Quando não me apetece nada trabalhar escrevo uma palavra de cada vez. Às tantas há frases formadas. Ideias descritas. A forma dá lugar ao conteúdo. Nisto uma pessoa esquece-se. As palavras fazem esquecer. É por isso que também gosto de ler. Uma palavra de cada vez, às vezes e para começar, mas depressa a estória se transforma em tudo o que importa no mundo e as palavras atropelam-se perante os olhos.

Vanessa

segunda-feira, 13 de março de 2017

Raízes

Ser emigrante é conhecer família de vez em quando e tentar reconhecer em perfeitos desconhecidos laços que nunca se desenvolveram. É receber em casa sangue do mesmo sangue sem que se sinta familiaridade para com as pessoas. É ver pessoas parecidas connosco, com as mesmas origens, mas com destinos diferentes; destinos que podiam ter sido os nossos se tivéssemos permanecido. Ser emigrante é viver em fragmentos, procurar intimidade em pequenos momentos e saber que instantes contam como a convivência de anos. Ser emigrante é só pensar nestas coisas quando se encontram desconhecidos que são família porque é nesses momentos, mais do que em quaisquer outros, que ser emigrante parece ser a pior que pode acontecer a uma pessoa. É aí que ser emigrante é o mesmo que ser um lobo sem alcateia, um país sem terra,  uma árvore sem raízes.

Vanessa

sábado, 11 de março de 2017

A verdadeira globalização: um poema

Vou ao café e peço uma italiana,
Trabalhar como um mouro assim requer,
A solução à noite é raiz de valeriana.
Mas por vezes nem isso resulta sequer.

Fala-se tanto em globalização.
Eu cá acho que é só para inglês ver.
Tabelou-se por baixo a padronização
Parece que tudo é feito para despromover.

Uma pessoa trabalha que nem um escravo,
Mas vê-se grego para ter o que quer.
Porque o trabalho árduo não vale um chavo
Ter casa hoje, só de aluguer.

Mas hoje em dia até um tecto é sinal de opulência,
Por isso a casa dos pais é a melhor defesa.
Qualidade de vida hoje é mera subsistência.
Não há cá viver à grande e à francesa.

Se comer um bife tenho o rei na barriga,
Qualquer coisa é acima das nossas possibilidades.
As regras da sociedade parecem chinês, que fadiga.
Para perceber, devia ter ido para as Novas Oportunidades.

O que melhor funciona neste mundo são as facturas
Que vêm com pontualidade suíça impressionante.
Ouvi falar e aprendi a cortar nas gorduras
Que remédio se tem quando se é insignificante.

Pagar contas e gerar riqueza é nosso dever,
Por isso se não há trabalho, olha, abre uma empresa.
Se isto vai melhorar, é pagar para ver.
Assim chegou a globalização à casa portuguesa.

Com certeza.

Vanessa

quinta-feira, 9 de março de 2017

Noite quase tranquila

Se eu disser que demoro cerca de uma hora a adormecer não estou a exagerar. Normalmente adormecer é uma tarefa custosa, especialmente porque o meu cérebro não se desliga facilmente e até funciona mais activamente de noite. Acontecia antes de ter computador, portanto não posso de todo culpar a tecnologia.

O chá Noite Tranquila da Lipton resolveu o problema temporariamente. Não sei se é o poder da sugestão ou se é da composição do chá — lúcia-Lima, tília (26%), lavanda (11%), aroma, folhas de laranjeira, camomila (8,9%), cidreira — mas só de pegar na caixa do chá já me dá sonolência. Na verdade, isto é mais uma tisana do que um chá, já que não contém cafeína. No aroma sobressai a lavanda, uma das minhas fragrâncias preferidas.

O problema dos chás, para mim, é o seu efeito diurético. O mesmo me acontece com qualquer tisana. Ou isso ou o sono faz-me adormecer sem tempo que a tisana chegue à bexiga quando cumpro os deveres fisiológicos e higiénicos antes de ir para a cama. O resultado é ter de me levantar a meio da tal Noite Tranquila para ir à casa de banho, o que desvirtua o efeito da bebida e é só em geral uma coisa incomodativa como o raio.

Muitas vezes, depois de me levantar já o efeito do chá passou e volto a ter dificuldade em adormecer, mas se tomar outra chávena, o ciclo repete-se. Não tenho solução senão talvez recorrer a medicação natural para adormecer, coisa que abunda ultimamente nas publicidades que vejo, mas que não me apetece e que provavelmente vai dar ao mesmo, que para engolir um comprimido bebo meio litro de água. Ao menos é bom não me sentir sozinha com este problema, que se há publicidade é porque isto já é uma epidemia.

Vanessa